Domingo, 20 Janeiro 2019

Mensagem de Natal - Dom Darci José Nicioli

 

 

É linguagem comum que este ano correu veloz e é certo que logo mais ele se fará novo. Revendo a agenda nos apercebemos do tempo vivido, dos acontecimentos alegres e daqueles que em nada agradaram e até nos fizeram sofrer. Tendemos por frisar com traços marcantes os momentos negativos, os infortúnios, as fatalidades que dizem da nossa impotência diante do desafio do viver. Porém, saber-nos frágeis não nos apequena, ao contrário, faz-nos mais fortes porque acorda outras potencialidades adormecidas. Digo com o apóstolo São Paulo que também sofria o espinho na carne: “Quando sou fraco, então é que sou forte!” (2Cor 12,10).

Para nós brasileiros, o ano de 2018 nasceu envolto em perspectivas sombrias e os analistas desenhavam um cenário de grandes crises e incertezas. À medida em que o tempo passou e os acontecimentos se sucederam, novas luzes surgiram no horizonte pátrio. Respira-se um ar de esperança, palavra que deverá ser conjugada no verbo esperançar e não no verbo esperar, pois a realidade se impõe para que não fiquemos “deitados em berço esplêndido”.

Na perspectiva pessoal é também desejável a autocrítica com humildade para rever atitudes e esquemas de pensamento que escravizam e são impeditivos de uma vida com sentido que vale a pena ser vivida, que seja plena e realizada. Um bom propósito pode ser início de algo verdadeiramente novo. Pode-se começar por perdoar mais e não se prender aos esquemas do passado! Pedir mais o perdão e recomeçar sempre que necessário! Partilhar mais e romper com o vício de consumir e acumular! Amar mais e desinteressadamente! Emprestar o ombro ao outro e ter coragem de pedir ajuda na própria fragilidade! Festejar nas alegrias e resignar-se nos infortúnios! Enfim, sacudir a poeira da velha humanidade farisaica e renascer, construindo “novos céus e nova terra!” (Ap 21,1)

O profeta Isaías faz o anúncio de um tempo novo com o advento do Messias, fala dos seus atributos divinos, do seu reinado absoluto, do resgate salvador de todos os povos e do triunfo universal com a sua chegada. É-nos revelado que “uma Virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel, o Deus-Conosco” (Is 7,14). E continua: “Um menino nasceu para nós e um Filho nos foi dado e foi posto o governo do mundo sobre seu ombro; e será chamado Conselheiro Admirável, Deus Forte, Pai do Século Futuro, Príncipe da Paz!” (Is 9,6) Sobre ele “repousará o Espírito do Senhor, espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de piedade e será cheio do espírito de temor do Senhor... Os pobres serão julgados com justiça e tomará com equidade a defesa dos humildes da terra” (Is 11,1). Eis o mistério da Encanação de Deus! E o Natal do “Menino Deus” é também o nosso Natal, pois Ele nasceu para nós e os que o acolhem recebem, por participação, esses mesmos dons.

Se Deus é por nós, quem será contra nós?! Isso significa que não estamos sozinhos e relegados à nossa própria sorte, pois Deus mesmo fez morada em nosso meio, e “se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos, saltará o aleijado e desatar-se-á a língua dos mudos... E haverá novo caminho e uma alegria eterna nos presidirá” (Is. 35,4). Deixemo-nos atrair pela graça do Natal do Senhor e “todos vós que tendes sede, vinde às águas... Buscai o Senhor, enquanto se pode encontrar; invocai-o, enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho... porque Ele é muito generoso para perdoar” (Is 60, 1). Deixe-se salvar!

Há um fio condutor entre o Presépio e o Calvário e compreendemos a Encanação de Deus somente a partir da Redenção. Por primeiro, Deus nasceu para nós na cruz e não no presépio! Há muitos sinais convergentes nos dois cenários, o do Gólgota e o da gruta de Belém que nos falam dessa verdade redentora. A manjedoura de animais onde Ele nasceu indica para a cruz, a rejeição, pois não havia lugar para Maria dar à luz e os “seus não o acolheram”. As faixas que envolveram a criança indicam a mortalha que o envolveu no sepulcro. Na gruta está Maria e José em família; aos pés da cruz a Mãe e o discípulo amado João, quando nascia a Igreja, a nova família dos filhos de Deus. Na Judéia vemos as artimanhas de Herodes e, em Jerusalém, o conluio traidor de Judas e o jogo de interesse de Pilatos. Em Belém, os pastores cantam: “Glória a Deus nas alturas” e, no Gólgota, o centurião proclama: “Este é verdadeiramente o Filho de Deus!” Sim, Deus nasceu e morreu por nós! Mesmo não encontrando lugar, nem mesmo corações acolhedores, nem por isso deixou de nascer, de se entregar e de salvar. Deus salva porque nos ama!

E a humanidade, ainda hoje, segue o seu caminho entre luzes e sombras, entre o já de quem crê e o ainda não dos incrédulos. Enfim, pode-se acreditar ou não, aceitar ou não, compreender este drama divino e humano ou não, corresponder ao amor de Deus ou não, mas é deveras impossível permanecer indiferente diante do mistério do Natal.

Meu irmão e minha irmã, no Natal, Deus participa diretamente da nossa história. O eterno faz-se carne, o transcendente desce à terra, o grandioso apequena-se, o infinito encontra abrigo no seio de uma mulher...  Divino e humano, tempo e eternidade se encontram. Acolhamos, pois, esta bendita surpresa de Deus e seremos recriados, novos horizontes se abrirão e a vida sorrirá de novo.

Mais uma vez. Temos a oportunidade de aprender a lição do presépio: perdoar, partilhar, servir, amar incondicionalmente e nunca esmorecer na esperança. 

 

Santo Natal e próspero Ano Novo repletos das bênçãos de Deus para você e sua família!

São os votos do Arcebispo e de todos os sacerdotes!

 

 

+ Darci José Nicioli, CSsR
Arcebispo Metropolitano de Diamantina MG

 

 

 

ORAÇÃO DE NATAL

(Papa Francisco)

Você é o sino de Natal, quando chama, congrega, reúne.

A luz de Natal é você, quando com uma vida de bondade, paciência, alegria e generosidade consegue ser luz a iluminar o caminho dos outros.

Você é o anjo do Natal, quando consegue levar alguém ao encontro do Senhor.

O presente de Natal é você, quando consegue comportar-se como verdadeiro amigo e irmão de qualquer ser humano.

Você será os “votos de Feliz Natal” quando perdoar, restabelecendo de novo a paz, mesmo a custo de seu próprio sacrifício.

Você é Natal quando consciente, humilde e em silêncio, abre o seu coração para receber o Salvador do mundo, Jesus Cristo.

Amém!

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