Sexta, 20 Julho 2018

Artigo do Cônego Dr. Manuel Quitério - A oração do leigo como sujeito eclesial na Igreja. O Ano do Laicato

A oração do leigo como sujeito eclesial na Igreja. O Ano do Laicato

“A oração nos organiza por dentro”.

(Côn. Manuel)

 

Sempre me fizeram refletir as palavras de Jesus: “Eu estarei convosco todos os dias; e sereis minhas testemunhas” (Mt, 28, 18-20; Mc 16, 15-6; Lc 24, 46-48). Esta máxima abre uma reflexão para irmos ao encontro do Ano do Laicato proposto pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) com o objetivo de olhar os cristãos leigos e leigas a compreender sua vocação e missão, atuando como verdadeiros sujeitos eclesiais nas diversas realidades em que estão inseridos na Igreja. Tudo isso, supõe um compromisso e capacidade de compartilhar, como Jesus o fez” (DAp, n. 363). A paróquia, casa comum, oferece a palavra, o pão e a caridade. Este é o lugar por excelência onde edificamos nossa vida de oração e missão. Por sua vez, a diocese é a célula onde visualizamos a Igreja universal (Doc. 100, n.177; LG, n.28). É aqui que os leigos são chamados a serem missionários, aperfeiçoando-se na vida eclesial. É impossível ser leigo/leiga sozinho. Somos chamados a nos abrir. Isso supõe fé e compromisso, na Igreja, que é um organismo vivo, como evidenciou o Beato John Henry Newman. Eis pois, que a oração e missão se alarga cada vez mais nos convidando a uma conversão constante,  fugindo das coisas caducas, evidenciando mudanças das estruturas, sem nunca perder ou banalizar o que professamos junto com toda a Igreja. Como é bom conhecer as palavras de Mahatma Gandhi: “Oração é um anseio da alma. É uma admissão diária das próprias fraquezas. É melhor na oração ter um coração sem palavras do que palavras sem um coração”. A oração nos organiza por dentro. Que o Ano do Laicato nos faça mais orantes.  

Com grande destaque tenho pensado nas palavras de Jesus no Evangelho de Mateus, depois de evidenciar o valor da esmola (Mt 6, 1-4) e da oração (Mt 6, 5-8). Em sua suscetibilidade evangelizadora, o Senhor, nos orienta com consideração e respeito para nos dizer que a oração nos organiza por dentro. Diz Jesus: “... Porque vosso Pai sabe do que precisais” (Mt 6, 8). Unidos, precisamos direcionar como melhor fazer a oração com fé, tanto os ministros ordenados como os fiéis leigos. Nosso Senhor é claro ao se exprimir: “Portanto orai assim: “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céu. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”. (Mt 6,7-15). Se meditarmos em cada palavra de Jesus, nossa missão de leigos/leigas muda totalmente e aos poucos nos santificamos, acreditando que sua misericórdia nunca nos faltará. Tenha no coração o pensamento de G.E.Lessing: “Um simples pensamento de gratidão elevado ao céu é a mais perfeita oração”.

O cristão que tem oração, simples e humilde em seu cotidiano, sabe o quanto a vida fica alicerçada. Diz-nos Rick Warren: “As pessoas podem recusar o nosso amor ou rejeitar nossas palavras, mas não têm defesas contra nossas orações”. Por isso, seja autentico quando orardes. Não te deixes levar pelas superstições ou correntes de oração, sem que a fé seja o sustento primeiro do que fazes. Veja o testemunho de Santa Terezinha do Menino Jesus: “Para mim, a oração é um impulso do coração, um simples olhar dirigido para o céu, um grito de agradecimento e de amor, tanto do meio do sofrimento como do meio da alegria. Em uma palavra, é algo grande, algo sobrenatural que me dilata a alma e me une a Jesus”. Mesmo que as intempéries da vida te visitem e o escurecer te domina, não tem esqueças, a noite por muito poderosa que seja sempre se dobra para o amanhecer. Já pensou nas palavras de Jesus: “Pedi, e vos será concedido; buscai, e encontrareis; batei, e a porta será aberta para vós. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, se lhe abrirá” (Mt 7,7). São palavras fortes que só a fé entende. Como seria bom se cada leiga/leigo conhecesse as palavras de Charles H. Spurgeon: “A oração em si mesma é uma arte que somente o Espírito Santo pode nos ensinar. Ele é o doador de todas as orações. Ore para ser ajudado na oração e não a abandone quando não conseguires orar, pois é nos momentos em que você pensa que não pode, que realmente está fazendo a melhor oração”. Leve a sério estas palavras. “A oração nos organiza por dentro”. Pense nisso.

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Prof.º do Seminário de Diamantina e da PUC-MG

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina - (ALAD).

Membro da Academia Marial – SP

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